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17 janeiro 2011

Chorar com os que choram


O que dizer diante de uma tragédia de tamanha proporção como a que atingiu a região serrana do Rio de Janeiro? Não quero correr o risco de minimizar o sofrimento alheio. Gostaria de escrever algo sobre os últimos acontecimentos, mas sinceramente não encontro palavras. Se apenas as imagens causam aperto no coração, imagine a dor daqueles que sentem na pele a perda de pessoas queridas ou de seus bens que custaram uma vida inteira de sacrifícios. É uma realidade cruel e não posso dimensionar tal sensação.

Mas em meio ao caos, alguns gestos e atitudes nos fazem acreditar um pouco mais nas pessoas. A solidariedade parece brotar do coração de muitos. É inspirador saber de histórias de anônimos que ignoram seu próprio sofrimento pra ajudar ao outro. O batalhão de voluntários que se mobilizam para amenizar a dor dos necessitados talvez seja o que podemos enxergar de bom em tudo isso.

Deixo aqui as minhas poucas palavras, minhas orações e o meu sincero desejo de que dias melhores estejam por vir para os moradores das cidades afetadas.

18 novembro 2010

Outros tempos



Sempre que reviro o meu “baú musical”, encontro  pérolas que acabam me remetendo a épocas que foram marcadas por cada uma dessas músicas, é uma verdadeira viagem no tempo. Lembro com saudade dos discos de vinil, quando nem sonhávamos com a internet, a pirataria não era uma ameaça e a possibilidade de se carregar uma coleção de discos no bolso através de Ipods, celulares e afins sequer era imaginada. Eu adorava vasculhar as prateleiras das lojas a procura de novidades, quase sempre, quando não era algum cantor ou grupo conhecido, eu era atraído pelas capas - que eram bem mais charmosas que as pequenas capas dos cds- diga-se de passagem.

Ainda me lembro, em uma dessas idas a uma loja, quando dei de cara com o disco “Criação” do Grupo Semente (que fazia parte dos Vencedores por Cristo), a capa belíssima me chamou a atenção (vale lembrar que não existia Photoshop também na época). Foi meu primeiro contato com a obra do saudoso Sérgio Pimenta, que infelizmente faleceu não muito tempo depois, e tantos outros grandes nomes da música cristã que fizeram parte desse trabalho. É incrível como algumas músicas deste disco são tão atuais ainda nos dias de hoje, as letras são cheias de poesia e coerência, coisa que anda bastante em falta atualmente. Entristeço em ver que agora, com todas as  facilidades que temos para conseguir músicas de todo tipo, a qualidade, quase sempre deixa a desejar. Em tempos em que, boa parte do que se compõe tem a profundidade de um pires, pessoas como Sérgio Pimenta, fazem uma falta enorme. É claro que nem tudo está perdido, ainda existe gente fazendo música de qualidade, mas eu vejo estes como “vozes que clamam no deserto”, alheios a modismos e com propósitos bem definidos. Que Deus abençoe sempre estes heróis.

Voltando a falar de Sérgio Pimenta, quero deixar letra e música de uma de uma de minhas faixas preferidas do disco “Criação” de 1986. Essa música, que na verdade teve a letra escrita por Caio Fábio e música composta por Sérgio Pimenta, a cada dia, vai fazendo mais sentido para mim. Eu a entendo como uma oração e creio que todo cristão verdadeiro deveria fazer dessas palavras muito mais do que uma simples canção.

Graça e paz

É Preciso  (Grupo Semente)

Ah! eu preciso rever minha vida
Medir os meus passos
Estender os meus braços
Às pessoas sofridas.

Ah! eu preciso olhar para dentro
Ouvir bem atento
A voz doce e forte
Parceira e consorte
Na vida e na morte
Que fala em mim.

Ah! eu preciso ser manso e amigo
Ser rocha e abrigo
Pra quem quer comigo
Na vida viver.

Ah! eu preciso ter olhos abertos
Motivos bem certos
Prá nunca enganar
Esta gente esgotada
De tanto chorar.

Ah! eu preciso ter coragem de ser
Ter vida e poder
Ter amor pra atender
Esta gente perdida
Por quem Deus quis morrer.

Faça uma viagem no tempo - Ouça a música  "É preciso (Grupo Semente)" - 1986

05 novembro 2010

A mente de Cristo

“Ó profundidade das riquezas, tanto da sabedoria como da ciência de Deus! Quão insondáveis são seus juízos, e quão inescrutáveis os seus caminhos! Pois, quem jamais conheceu a mente do Senhor? Ou quem se fez seu conselheiro? “ (Romanos 11:33-34)

Uma das coisas que me chamam a atenção em Jesus é a maneira como ele quebrava conceitos e idéias pré-estabelecidas pelos religiosos da época. Isso ficou claro desde o seu nascimento. Um Messias nascido em uma manjedoura talvez não fosse a maneira como se imaginavam que as profecias sobre Sua vinda se cumpririam. Os questionamentos sobre se Jesus seria mesmo o Filho de Deus sempre o acompanharam : “Não é este o filho do carpinteiro? (Mateus 1:55)” , “Pode haver coisa bem vinda de Nazaré? (João 1:46). Não era fácil acreditar que toda a gloria de um Messias esperado se materializaria em uma figura tão simples como Jesus.

A grande verdade é que, através da religiosidade, criamos nossa própria idéia de Cristo e achamos que podemos traçar maneiras e fórmulas como as coisas de Deus devem ser e acontecer, no entanto, Seus planos jamais foram traçados levando em consideração a lógica humana. Jesus cumpriu seu propósito aqui na terra contrariando muitos costumes de sua época, Ele curou no sábado, deu ouvidos a prostitutas e adúlteras e repreendeu religiosos. Isso tudo nos mostra que nossas convicções de como Deus deve ser ou agir podem nos trair e nos afastar daquilo que realmente vem Dele.

Penso em como seria se Jesus tivesse vindo nos nossos dias. Será que seríamos como os fariseus, racionalizando todos os Seus passos, tentando encaixar sua maneira de pensar e agir em nossas fórmulas adquiridas através do conhecimento religioso? Será que Ele, por sua vez, acolheria pessoas que nós, geralmente, rejeitamos por nos acharmos muito santos? Nossa mente natural é muito limitada para entender o que é Divino, por isso precisamos do que o apóstolo Paulo chama de “A mente de Cristo”.

Ter a mente de Cristo significa entender as coisas como Cristo entendia, pensar como Ele pensava. Talvez esse seja o grande segredo daqueles homens que revolucionaram o mundo através da mensagem de Jesus, e que, acima de qualquer circunstância, creram , viveram e morreram pela verdade que pregavam. Eles reconheceram a voz do Mestre e não duvidaram porque conseguiram alcançar “A mente de Cristo”.

Vamos lutar por isso?

“Ora, o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, porque para ele são loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente. Mas o que é espiritual discerne bem tudo, enquanto ele por ninguém é discernido. Pois, quem jamais conheceu a mente do Senhor, para que possa instruí-lo? Mas nós temos a mente de Cristo.” (1 Corintios 2:14-16)

Graça e Paz.

Trilha sonora do post : Samuel Mizrahy - Sopro

29 setembro 2010

Eu prometo...

Em época de eleição, mais do que nunca, alguns canditatos usam e abusam de promessas enganosas para conquistar o maior número possível de votos. Apesar de uma prática já conhecida, é incrível como que alguns eleitores ainda caiam nessas armadilhas.
O texto abaixo retrata de forma bem humorada, mas totalmente verdadeira esse assunto. Leia e reflita, vale a pena.

A Morte do Senador:

Um senador está andando tranqüilamente quando é atropelado e morre. A alma dele chega ao Paraíso e dá de cara com São Pedro na entrada.

"Bem-vindo ao Paraíso!"; diz São Pedro. "Antes que você entre, há um probleminha. Raramente vemos parlamentares por aqui, sabe, então não sabemos bem o que fazer com você.

-"Não vejo problema, é só me deixar entrar", diz o antigo senador.

-"Eu bem que gostaria, mas tenho ordens superiores. Vamos fazer o seguinte: Você passa um dia no Inferno e um dia no Paraíso. Aí, pode escolher onde quer passar a eternidade.

-"Não precisa, já resolvi. Quero ficar no Paraíso diz o senador.

-"Desculpe, mas temos as nossas regras."

Assim, São Pedro o acompanha até o elevador e ele desce, desce, desce até o Inferno. A porta se abre e ele se vê no meio de um lindo campo de golfe. Ao fundo o clube onde estão todos os seus amigos e outros políticos com os quais havia trabalhado. Todos muito felizes em traje social. Ele é cumprimentado, abraçado e eles começam a falar sobre os bons tempos em que ficaram ricos às custas do povo. Jogam uma partida descontraída e depois comem lagosta e caviar. Quem também está presente é o diabo, um cara muito amigável que passa o tempo todo dançando e contando piadas. Eles se divertem tanto que, antes que ele perceba, já é hora de ir embora. Todos se despedem dele com abraços e acenam enquanto o elevador sobe. Ele sobe, sobe, sobe e porta se abre outra vez. São Pedro está esperando por ele.

Agora é a vez de visitar o Paraíso.

Ele passa 24 horas junto a um grupo de almas contentes que andam de nuvem em nuvem, tocando harpas e cantando. Tudo vai muito bem e, antes que ele perceba, o dia se acaba e São Pedro retorna.

-" E aí ? Você passou um dia no Inferno e um dia no Paraíso. Agora escolha a sua casa eterna." Ele pensa um minuto e responde:

-"Olha, eu nunca pensei ... O Paraíso é muito bom, mas eu acho que vou ficar melhor no Inferno."

Então São Pedro o leva de volta ao elevador e ele desce, desce, desce até o Inferno.

A porta abre e ele se vê no meio de um enorme terreno baldio cheio de lixo. Ele vê todos

os amigos com as roupas rasgadas e sujas catando o entulho e colocando em sacos pretos. O diabo vai ao seu encontro e passa o braço pelo ombro do senador.

-" Não estou entendendo", - gagueja o senador - "Ontem mesmo eu estive aqui e havia um campo de golfe, um clube, lagosta, caviar, e nós dançamos e nos divertimos tempo todo. Agora só vejo esse fim de mundo cheio de lixo e meus amigos arrasados!!!"

O diabo olha pra ele, sorri ironicamente e diz:

-"Ontem estávamos em campanha. Agora, já conseguimos o seu voto..."

27 setembro 2010

O que o dinheiro não pode pagar.

Durante toda a vida aquele homem havia sobrevivido da caridade dos outros, sentado à porta daquela igreja, talvez seus planos para o futuro não incluíssem muitas coisas além de continuar vivo, afinal, não devem ser muito ambiciosos os sonhos de alguém que não pode sequer se locomover com as próprias pernas. O dinheiro que recebia ali garantia a sua sobrevivência, mas não lhe devolvia a expectativa de uma vida normal, até que um dia cruza pelo seu caminho dois homens diferentes daqueles religiosos que freqüentavam aquele templo. Eram Pedro e João, que ao se depararem com aquele quadro, resolvem dar para aquele homem algo bem mais valioso do que a esmola que ele pedia. A frase usada por Pedro diz muito mais do que aquelas poucas palavras poderiam expressar : “Não tenho prata nem ouro, mas o que tenho, isto te dou. Em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, levanta-te e anda.” (Atos 3:6). Eles viam ali não apenas a necessidade financeira de uma pessoa miserável, eles viam um ser humano carente de auto-estima e de motivação para viver, e isso, os dois discípulos tinham de sobra – “O que eu tenho eu te dou”, foi o que Pedro disse. Esse é, na minha opinião, o ponto principal deste episódio. Pedro estava dando daquilo que ele tinha, daquilo que ele vivia, ou seja, a fé, o amor e o poder de Deus capazes de transformar vidas.

Este é o evangelho que precisa voltar a ser pregado, e, acima de tudo, vivido hoje em dia. Talvez ele esteja em falta, porque muitos dos que o pregam não tenham muito mais a oferecer do que a utopia de uma vida próspera e livre de problemas. Falta uma conexão com a vida real, com o sofrimento dos necessitados, falta coragem para se encarar a origem das feridas e não apenas tentar estancar hemorragia crônica com band-aid.

Quando aquele homem fica de pé, ele é tomado pela esperança de uma vida melhor, bem diferente daquela que ele tinha vivido até aquele dia, Pedro e João devolveram a dignidade para aquele mendigo. Agora a sua vida estava de fato mudada e dinheiro nenhum poderia comprar o que ele havia acabado de receber.

O verdadeiro evangelho transforma vidas. É preciso que estejamos comprometidos em pregá-lo e praticá-lo; de outra forma, correremos o risco de sermos “sal que para nada presta”.

“Vós sois o sal da terra, e se o sal for insípido, com que se há de salgar? Para nada mais presta senão para se lançar fora, e ser pisado pelos homens.” (Mateus 5:13)

Graça e Paz

Ouçam a trilha do post e meditem na letra. Vale a pena.

Trilha sonora do post  Fruto Sagrado - O que na verdade somos

16 setembro 2010

Quanto vale lutar por um sonho?

Sonhar é algo natural, já a realização de um sonho pode nos exigir esforços, por muitas vezes, sobre-humanos.

Histórias de grandes sonhadores sempre nos inspiram, mas é preciso conhecermos a jornada desses homens até a conclusão de seus sonhos, e aí é que surge a pergunta: “Quanto vale lutar por um sonho?”

Considero duas palavras como chaves para a realização de um sonho : Persistência e Abnegação. É incrível como palavras que expressam justamente o oposto precisam caminhar juntas. É preciso persistir para que nossos ideais não morram, mas também precisa-se abrir mão de muitas coisas para nos mantermos firmes neles.

A história está cheia de exemplos assim, mas um, especialmente, me vem à mente quando penso em persistência : Abraham Lincoln.

Observe a trajetória deste homem que lutou contra todo tipo de adversidades, desde seu nascimento em uma família humilde até se tornar um dos maiores presidentes da história dos Estados Unidos, e depois refaça a pergunta : Quanto vale lutar por um sonho? 
 Que Deus abençoe a todos.

12 setembro 2010

Maravilhosa Graça

“Isso acontece com os filhos pródigos...
A lembrança da casa de seu pai retorna.
Se o filho tivesse vivido de maneira econômica
Nunca teria tido a idéia de voltar.” (Simone Weil)

Das histórias que Jesus contou, a parábola do filho pródigo talvez seja a que ilustre com maior propriedade a Graça de Deus. Um pai de braços abertos festejando a volta de um filho que tinha abandonado o lar, sem se importar com quantas e quais desventuras ele havia se metido enquanto estava distante, é, na minha opinião, a melhor definição para a Graça Divina. Aliás, essa parábola vem na seqüência de outras duas, a parábola da ovelha perdida e a da dracma perdida, onde o desfecho é o mesmo: alguém se alegrando por ter encontrado algo que havia perdido. Parece que Jesus queria mesmo enfatizar algo sobre o caráter de Deus que muitos desconhecem ou se recusam a aceitar por achar fácil demais: que Deus não é um carrasco, mas sim um pai perdoador que valoriza a volta, que se alegra com o reencontro. Um arrependimento verdadeiro é o único requisito para termos acesso a Sua graça, nada mais. Deus não nos dá um cronograma com um certo número de passos a serem seguidos ou qualquer outro tipo de indulgência a ser paga para sermos aceitos de volta, ele simplesmente conhece nossas intenções e não resiste à um coração verdadeiramente arrependido – “O sacrifício aceitável a Deus é o espírito quebrantado; ao coração quebrantado e contrito não desprezarás, ó Deus. (Salmos 51:17)”.

O fato é que nosso senso de justiça, muitas vezes, nos impede de pensarmos como Deus, achamos que um filho que desperdiçou toda sua herança com coisas fúteis não merece mais a confiança do pai, ou, pensando de maneira mais “misericordiosa”, que ele deve reconquistar essa confiança – “Trazei também o bezerro, cevado e matai-o; comamos, e regozijemo-nos, porque este meu filho estava morto, e reviveu; tinha-se perdido, e foi achado. E começaram a regozijar-se. (Lucas 15:23-24).” Essas foram as palavras daquele pai, nada mais importava para ele senão o regresso de seu filho querido ao lar.

É bom demais saber que temos um Deus assim. Que a cada dia nós possamos aprender a deixar de lado nossa arrogância de acharmos que somos justos o suficiente ou que podemos alcançar qualquer tipo de favor de Deus pelo que fazemos. Graça é receber o que não merecemos, algo que não nos custou nada. Philip Yancey diz duas coisas reveladoras sobre a Graça :

“É um presente que custa tudo para o doador e nada para o que recebeu.”

“A graça, meus amigos, não exige nada de nós a não ser que a aguardemos com confiança e reconheçamos com gratidão”.

Aquele filho desfrutou da graça quando reconheceu que havia cometido um grande erro ao se afastar de seu pai , talvez existam muitos que estejam tão cegos em sua auto-suficiência que não conseguem perceber que já estão distantes do Pai e deixam cada vez mais para trás o caminho de volta.

Que Deus abençoe a todos.

01 setembro 2010

Contando os Dias


"...Quem sabe que o tempo está fugindo descobre subitamente a beleza única do momento que nunca mais será..." (Rubem Alves)


Desde o dia em que nascemos vivemos em contagem regressiva rumo à nossa derradeira certeza. O tempo é implacável e a estrada a ser percorrida é sempre mais longa do que os dias que temos para viver. Não temos como definir a quantidade desses dias; é claro que uma vida regrada pode fazer com que eles aumentem sensivelmente, mas no geral, esse controle não está em nossas mãos.

Assim sendo, o que podemos sim definir e escolher é a qualidade como vamos passar a nossa breve estadia neste mundo.




“Ensina-nos a contar os nossos dias de tal maneira que alcancemos corações sábios.” (Salmos 90:12).

Essa frase retirada de uma oração de Moisés expressa a preocupação de alguém que quer fazer sua vida valer a pena. Quanto tempo gastamos com coisas que nos roubam a essência de uma vida realmente feliz? Nos perdemos no afã de ganharmos o mundo e quando percebemos, já deixamos tanta coisa preciosa para trás. Quanta distância criamos entre nós e pessoas que nos são importantes, quantos pedidos de socorro dos que estão ao nosso lado deixamos de perceber, quanta solidariedade deixamos de prestar; se alguém nos para na rua pedindo um trocado nós, quando damos, o fazemos de maneira tão automática, afinal assim nos livramos mais rápido daquele que nos pede, geralmente sem dirigirmos sequer uma palavra, gesto este, tão simples, que poderia devolver um pouco de dignidade à quem não espera mais nada da vida.

Passamos a vida nos contentando com algumas alegrias e nos privando da felicidade. Tenho aprendido a diferença entre uma coisa e outra : alegria sempre está ligada às circunstâncias que nos cercam, é algo momentâneo, um estado passageiro, como um prêmio conquistado, a aquisição de um bem que desejamos muito, naquele momento estamos alegres, mas depois de um tempo, essas coisas já não causam mais esse efeito em nós; já a felicidade vem pra ficar e muda a estrutura das nossas vidas, ela está ligada a nossa consciência, são aquelas coisas que nos trazem uma paz inexplicável. É poder dizer como Davi : “Em paz me deito e logo pego no sono, porque, Senhor, só tu me fazes repousar seguro. (Salmos 4:8).

O que temos feito do nosso tempo? Essa escolha é pessoal. Não importa a quantidade de momentos alegres que vivemos, a soma deles não nos garante a felicidade. As escolhas estão sempre diante de nós e o relógio jamais andará para trás.

Graça e Paz.

Trilha sonora do post : João Alexandre - Quem sou eu

05 março 2010

A oração simples

Texto de Ed René Kivitz

"Não existe oração errada. Aliás, a oração errada é aquela que não é feita. A Bíblia Sagrada ensina que se deve orar a respeito de tudo. Orar por qualquer motivo, qualquer hora, qualquer lugar, sempre que o coração não estiver em paz. Tão logo o coração experimente apreensão, preocupação, medo, angústia, enfim, seja perturbado por alguma coisa, a ação imediata de quem confia em Deus é a oração.

O apóstolo Paulo diz que não precisamos andar ansiosos por coisa alguma, mas em tudo, pela oração e súplicas, com ação de graças, devemos apresentar nossos pedidos a Deus, tendo nas mãos a promessa de que a paz de Deus que excede todo o entendimento, guardará nossos sentimentos e pensamentos em Cristo Jesus (Filipenses 4.6,7). A expressão “coisa alguma” inclui desde uma vaga no estacionamento do shopping center quanto o fechamento de um negócio, o desejo de que não chova no dia da festa quanto a enfermidade de uma pessoa querida.

Esta experiência de oração é chamada de oração simples: orar sem censura filosófica ou teológica, orar sem se perguntar “é legítimo pedir isso a Deus?” ou “será que Deus se envolve nesse tipo de coisa?”. Simplesmente orar.

A garantia que temos quando oramos assim é a paz de Deus em nossos corações e mentes. A Bíblia não garante que Deus atenderá nossos pedidos exatamente como foram feitos: pode ser que a vaga no estacionamento não seja encontrada e que chova no dia da festa. A oração não se presta a fazer Deus trabalhar para nós, atendendo nossos caprichos e provendo o nosso conforto. Já que a causa da oração simples é a ansiedade, a resposta de Deus é a paz. O resultado da oração não é necessariamente a mudança da realidade a respeito da qual se ora, mas a mudança da pessoa que ora. A mudança da situação a respeito da qual se ora é uma possibilidade, a mudança do coração e da mente da pessoa que ora é uma realidade. Deus não prometeu dizer sim a todos os nossos pedidos, mas nos garantiu dar paz e nos conduzir à serenidade. Não prometeu nos livrar do vale da sombra da morte, mas nos garantiu que estaria lá conosco e nos conduziria em segurança através dele.

O maior fruto da oração não o atendimento do pedido ou da súplica, mas a maturidade crescente da pessoa que ora. Na verdade, a estatura espiritual de uma pessoa pode ser medida pelo conteúdo de suas orações. Assim como sabemos se nossos filhos estão crescendo observando o que nos pedem e o que esperam de nós, podemos avaliar nosso próprio crescimento espiritual através de nossos pedidos e súplicas a Deus. As orações revelam o que realmente ocupa nossos corações, o que realmente é objeto dos nossos desejos, o que nos amedronta, nos desestabiliza e nos rouba a paz.

O apóstolo Paulo diz que quando era menino, falava como menino, pensava como menino e raciocinava como menino. Mas quando se tornou homem, deixou para trás as coisas de menino (1Coríntios 13.11). Não existe oração certa e errada. Mas existe oração de menino e oração de homem. Oração de menina e oração de mulher. A diferença está no coração: coração de menino e de menina, ora como menino e menina. A nossa certeza é que Deus também gosta de crianças."

Graça e Paz.

26 fevereiro 2010

Gentileza gera gentileza

Quem passa próximo a rodoviária no Rio de Janeiro, se depara com essa, entre outras frases, pintadas nas pilastras cinzas do Elevado do Gasômetro, pelo lendário José Datrino, popularmente conhecido como "Profeta Gentileza". Um homem que por muitos deve ter sido visto como louco, toca em um ponto que, se praticado entre as pessoas, poderia tornar o mundo um lugar melhor de se viver .

Gentileza gera gentileza, assim como violência gera violência. Todos os dias podemos praticar pequenos atos de solidariedade e respeito ao próximo que poderiam desencadear uma grande revolução. Sei que no mundo estressante em que vivemos, esse tipo de pensamento é quase uma utopia, mas se pensarmos um pouco veremos que Jesus já ensinava essa lição. Em um dos momentos mais tensos de sua vida, ao participar da última ceia com seus discípulos e já sabendo da traição que viria por parte de Judas, Ele simplesmente decide lavar os pés dos que ali estavam, e depois de ter terminado, faz a seguinte pergunta : “Entendeis o que vos tenho feito? Vós me chamais Mestre e Senhor; e dizeis bem, porque eu o sou. Ora, se eu, o Senhor e Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns aos outros.” (João 13:12-14). E não para por aí; depois de ter dedicado seu ministério pregando e vivendo o amor Ele reforça sua mensagem dizendo o seguinte : "Um novo mandamento vos dou: que vos ameis uns aos outros; assim como eu vos amei a vós, que também vós vos ameis uns aos outros. Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos, se tiverdes amor uns aos outros.” (João 13:34-35).

Jesus deixou o exemplo de como deveríamos viver como cidadãos, independente de religião. O amor ao próximo, é a única arma capaz de vencer uma guerra sem causar vítimas.

Graça e Paz.

Trilha sonora do post : Ame ao Senhor - Guilherme Kerr e amigos

18 fevereiro 2010

Expectativas e frustrações

Toda frustração vem de uma expectativa não correspondida. Quando esperamos convictos por algo que não acontece da maneira como planejamos, ficamos frustrados; quando depositamos nossa confiança em alguém e não temos o devido retorno dessa pessoa, nos decepcionamos, e assim vamos vivendo entre uma frustração e outra.

Uma das áreas onde essas frustrações ocorrem com mais freqüência é, sem duvida, a área dos relacionamentos, isso porque, nesse caso, são, pelo menos, duas pessoas envolvidas e com expectativas diferentes uma para com a outra. Acostumados assim, tentamos nos relacionar com Deus dessa forma e constantemente nos frustramos por acharmos que Ele não corresponde as nossas expectativas. Quantas vezes achamos que Deus poderia ter feito algo para impedir determinada situação, ou que poderíamos ser mais bem sucedidos nessa ou naquela área? Isso acontece porque baseamos nosso relacionamento com Deus a partir de um ponto de vista egocêntrico, onde, na maioria das vezes, queremos ser beneficiados para, só então, sermos gratos ou demonstrarmos amor por Ele. Deus, por sua vez, e para nossa sorte, não se relaciona conosco dessa forma. Ele, simplesmente e inexplicavelmente nos ama, Ele nos conhece por inteiro, com todas as nossas imperfeições e incapacidades, e por isso não alimenta nenhuma expectativa por nós, assim sendo, não se frustra quando não O correspondemos como deveríamos. Essa é a essência do amor incondicional: amar sem impor condições ou cobrar desempenho.

Precisamos aprender a amar dessa forma. Tarefa difícil, eu sei, mas penso que somente assim poderemos começar a conhecer Deus como Ele realmente é. Deus é amor, e nada poderá mudar isso. Quando amamos profundamente alguma pessoa, nossas atitudes, naturalmente, se direcionam para fazer o que agrada essa pessoa. É assim que devemos amar a Deus e nos relacionarmos com Ele: pelo que Ele é, e não pelo que pode realizar a nosso favor. Nossa principal expectativa deve ser a de fazer o que O alegra, correspondendo ao amor que Ele jamais deixou de ter por nós.

Graça e Paz.

Trilha sonora do post : Bianca Toledo - O que eu sabia

06 fevereiro 2010

Pensando na vida

2010 começou freneticamente. Fica difícil processar o amontoado de acontecimentos que , até aqui, nos bombardeiam sem piedade : Tragédia em Angra na virada do ano, devastação no Haiti, a chuva que não dá trégua em São Paulo, causando efeitos em várias cidades, como a minha, aqui no estado do Rio, onde os rios não conseguem escoar tanta água vinda de lá, etc, etc etc. O que será que ainda nos espera?


As previsões dos cientistas não são nada animadoras, o clima e a natureza tendem a ficar cada vez mais loucos, e a humanidade tem que correr contra o tempo para tentar amenizar o estrago feito por ela mesma. Temos muito o que fazer, e em momentos como o que vivemos, precisamos encontrar tempo para “recarregarmos nossas baterias”. Nessas horas eu me lembro do Salmo 121:1 “Elevo os meus olhos para os montes; de onde me vem o socorro?” Eu imagino o autor deste capítulo passando por um momento de confusão, assim como o que vivemos nos dias de hoje, e é interessante como ele próprio responde sua pergunta no versículo seguinte : “O meu socorro vem do Senhor, que fez os céus e a terra. “

Todos nós passamos por momentos em que nos sentimos perdidos e por mais que procuremos socorro, se abrirmos o nosso coração, vamos perceber que o encontraremos em Deus, mesmo que, as vezes, não consigamos entender a maneira como Ele age. O Salmista se lembrou que podia contar com o auxílio de Deus ao olhar para os montes, creio que Deus, o tempo todo, nos dá pistas de que está ao nosso lado, e se nos esforçarmos um pouco, mesmo em momentos de adversidade, iremos perceber que não estamos sozinhos.

Graça e paz.


Trilha sonora do post - Hibernia - A vida como ela era.


28 agosto 2009

Antes que venham os maus dias

Jó era um típico exemplo de pessoa bem sucedida, além de ter uma família, muitos bens e riquezas, ainda contava com a confiança integral do próprio Deus, mas toda essa vida próspera acabou incomodando a satanás, que em seu argumento tentou colocar em dúvida a integridade e o temor de Jó : “Então respondeu Satanás ao Senhor, e disse: Porventura Jó teme a Deus debalde? Não o tens protegido de todo lado a ele, a sua casa e a tudo quanto tem? Tens abençoado a obra de suas mãos, e os seus bens se multiplicam na terra” (Jô 1:9,10).

Apesar de toda prosperidade e de aparentemente ter sua vida sob controle, uma coisa me chama a atenção na vida desse homem, Jó era uma pessoa preocupada, ele não descansava e talvez essa preocupação o tenha privado de aproveitar de muito bons momentos em sua vida, talvez ele pudesse ter sido uma pessoa muito mais amadurecida espiritualmente ou talvez pudesse ter feito muito mais coisas em favor dos outros, e , acima de tudo, suas palavras me fazem pensar que ele poderia ter conhecido muito mais a Deus nos tempos de calmaria se ele não estivesse tão preocupado com seu futuro, Jó disse : “Nunca estive descansado, nem sosseguei, nem repousei, mas veio sobre mim a perturbação” (Jó 3:26); e ainda declara que o que ele temia tinha acontecido, de certa forma ele esperava por esses dias ruins, ou pelo menos imaginava que eles viriam. É interessante porque é exatamente assim que agimos muitas vezes, vivemos tempos de paz mas não nos lembramos de agradecer a Deus por esses dias que vão passando despercebidos, queremos uma casa melhor, um carro melhor, uma TV maior, um computador mais moderno e deixamos de valorizar o que Deus nos permite ter e viver diariamente. Nos preocupamos quando adoecemos, mas nem sempre lembramos de agradecer quando temos nossa saúde perfeita; reclamamos quando o carro quebra, mas será que somos gratos por todas as vezes que ele funciona sem problemas?

Precisamos viver cada dia como uma dádiva de Deus, pois se nos esforçarmos um pouco, veremos que constantemente temos prova de seu cuidado e amor.
Graça e Paz

Trilha sonora do post


Tanlan - Tempo

21 agosto 2009

Frágil


Nestes dias tenho pensado bastante na nossa fragilidade como seres humanos. Diariamente dezenas de pessoas morrem vítimas da nova gripe; um simples vírus é capaz de tirar a vida de algém em poucos dias nos mostrando o quanto somos vulneráveis. Na verdade eu creio que essa fragilidade era a intenção de Deus ao nos criar. O livro do Gênesis relata que primeiro Ele formou o homem do e depois soprou o fôlego de vida em suas narinas – pó e vento – essas são as matéria primas das quais fomos feitos. Penso que quanto mais nos aproximamos de Deus, quanto mais “espirituais” nos tornamos, mais conscientes dessa verdade deveríamos ficar.

Jesus viveu exatamente dessa maneira, desde seu nascimento sua vida foi uma constante contagem regressiva e em seu curto tempo aqui praticou tudo aquilo que pregou: falou de amor e demonstrou ao acolher aqueles que a sociedade rejeitava, usou de compaixão com as pessoas até mesmo quando a lei previa o castigo, ensinou aos seus discípulos que, saber que seus nomes estavam escritos no livro da vida era mais importante do que serem temidos por demônios.

Infelizmente, nem sempre as coisas são dessa maneira, muitos acabam trilhando o caminho oposto, se deixando entorpecer pela falsa sensação de poder que alguns títulos religiosos oferecem, distanciando-se da verdadeira condição humana de cada um.

Quero, a cada dia, me lembrar que sou feito de pó e que a vida que tenho foi soprada por Deus e a qualquer momento pode ser tirada e enquanto houver fôlego em mim eu preciso viver de maneira que honre Àquele que me mantém respirando.


Graça e Paz.


Trilha sonora do post - Não deixem de ouvir... Recomendo


Maria Lídia - Em paz

20 outubro 2008

Aprendendo com o deserto


É muito difícil sobreviver no deserto, mas é possível sair dele. É inegável que aprendemos muito com o sofrimento, diria que até mais do que com a alegria. Em Eclesiastes 7:2 diz o seguinte “Melhor é ir à casa onde há luto do que ir a casa onde há banquete; porque naquela se vê o fim de todos os homens, e os vivos o aplicam ao seu coração.”

As vezes a vida perece ser cruel e achamos nosso fardo pesado demais e é nesse momento que temos que colocar em prática o que Jesus nos propôs em Mateus 11:29-30 : “Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para as vossas almas. Porque o meu jugo é suave, e o meu fardo e leve.” É impressionante como Deus age em tempos de tribulação, basta apenas não fecharmos o nosso coração.

Espero que um dia possamos compreender o real significado da tão conhecida passagem de Filipenses 4:13 (“Posso todas as coisas naquele que me fortalece.”), ainda aprenderemos que não podemos entender o verso 13 separadamente do 12 , vejam o contexto : 12 Sei passar falta, e sei também ter abundância; em toda maneira e em todas as coisas estou experimentado, tanto em ter fartura, como em passar fome; tanto em ter abundância, como em padecer necessidade. 13 Posso todas as coisas naquele que me fortalece.” Se há alguém autorizado a falar de sofrimento, essa pessoa é o apóstolo Paulo, ele nos deixa mais essa lição: Não importa o que estivermos passando, em que fase da vida nos encontramos, se estamos bem ou no fundo do poço, podemos enfrentar tudo isso se estivermos firmados naquele que nos fortalece.

Graça e Paz

30 agosto 2008

Que amor é esse?

“Tu fizeste tudo com delicadeza, as partes íntimas do meu corpo, e as uniste no ventre de minha mãe. Obrigado por me teres feito de maneira tão maravilhosamente complexa. O Teu trabalho é maravilhoso”. (Sl 139:13-14)

A cada dia me surpreendo mais com o amor e o carinho que Deus tem por nós, apesar de todos os nossos erros e infinitas vezes fazermos o que entristece Seu coração, Ele continua nos amando incondicionalmente. Phillip Yancey foi muito bem inspirado ao escrever que : “Não há nada que eu possa fazer para Deus me amar mais, e nada que eu possa fazer para Deus me amar menos”.
Isso expressa bem o que é um amor incondicional. Ele nos amou desde a nossa criação, se preocupou com cada detalhe em nós. Ninguém jamais foi mais criativo do que Deus, Ele fez cada um de nós diferentes, até mesmo nosso batimento cardíaco é exclusivo. Assim como temos impressões digitais, padrões de íris e voz singulares, nosso coração bate com padrões sensivelmente diferentes. É magnífico que, apesar dos bilhões de pessoas que já viveram, ninguém jamais tenha tido um batimento cardíaco exatamente igual. Isso nos prova que somos uma obra de arte feita manualmente por Deus. Não fomos feitos em uma linha de montagem de produção em massa, sem ter sido objeto de reflexão. Fomos feitos artesanalmente e sob medida.

Como não amar a um Deus assim? Como podemos ficar distantes de alguém que demonstra tamanha paixão por sua criação?

Pensem nisso!

Graça e Paz.

11 julho 2008

Esperança

Quero trazer à memória o que me pode dar esperança. (Lamentações 3:21)

Esse versículo tem muito a nos ensinar. Nos dias em que vivemos é bastante difícil, aos olhos naturais, alimentarmos esse sentimento de esperança. Os dias são difíceis, as notícias não nos permitem pensar assim, só ouvimos falar de morte, guerras, escândalos políticos, etc. Em uma primeira análise, esse versículo pode soar até mesmo como mais um dos conceitos encontrados nos milhares livros de auto-ajuda, mas precisamos entender e aprender com a Bíblia onde e em que devem estar firmadas as nossas esperanças. No livro de Salmos capítulo 71, verso 5 diz o seguinte : "Pois tu és a minha esperança, Senhor Deus; Tu és a minha confiança desde a minha mocidade." O salmista descobriu onde depositar sua esperança. O profeta Jeremias também sabia em quem confiar: "Bendito o homem que confia no Senhor, e cuja esperança é o Senhor." (Jeremias 17:7). Precisamos trazer essas coisas à memória e tirarmos nossos pensamentos de coisas negativas, somos influenciados o tempo todo pelo que pensamos e por isso devemos nos lembrar constantemente das promessas que já nos foram oferecidas pela Palavra de Deus, não devemos nos abater pelas notícias que nos cercam, ou pelas circunstâncias que nos envolvem, o que vemos e ouvimos, definitivamente, não é a última palavra; Deus tem a última palavra. Esse é o nosso desafio, enxergarmos além do que os nossos olhos podem ver, enxergarmos através da ótica de Deus e colocarmos todas as nossas esperanças Nele, o único que jamais nos decepcionará, afinal, os nossos dias nessa terra são passageiros, mas as nossas escolhas e a maneira que agimos e lidamos com as coisas aqui podem ter implicações eternas. Temos uma eternidade pela frente e é nisso que devemos depositar as nossas esperanças. Me lembro das palavras de Corrie Tem Boom, uma prisioneira em um campo de concentração na segunda guerra mundial :"Se você olhar para o mundo ficará aflito. Se olhar para si, ficará deprimido. Mas, se olhar para Cristo ficará descansado!" Não deve ser tão fácil pensar assim quando se está em um campo de concentração, mas é possível, e para pessoas com esse pensamento, certamente a vida sorri mais vezes.

Graça e Paz.

21 junho 2008

Encruzilhadas



“Divergiam em um bosque duas estradas
e eu escolhi a menos viajada
e esta escolha fez toda a diferença.”
(Robert Frost)



Esse trecho extraído do famoso poema “The road not taken” escrito pelo poeta americano Rober Frost é realmente belo, mas sou forçado a concordar apenas em partes com ele. Sim, a vida é feita de escolhas, e com isso eu concordo plenamente, e também somos inteiramente responsáveis pelas conseqüências resultantes delas, mas em alguns momentos essas escolhas se confundem de tal maneira que sequer conseguimos perceber qual das duas estradas é de fato a menos viajada, sem dizer que até mesmo uma estrada pouco trilhada pode esconder surpresas bem armadas em alguma esquina. Jerry Seinfeld, um humorista americano, fez um comentário bem pertinente com relação ao poema de Frost : “Às vezes há uma razão para que uma estrada seja menos trilhada” , considero um bom argumento, se temos que tornar nossas escolhas bem racionais, mas no final, acabaremos percebendo que quanto mais analisamos, mais dúvidas somamos às decisões que devemos tomar. Esse é o drama da vida real, nunca estaremos livres de escolhas e uma coisa é certa, não iremos acertar todas as vezes, portanto não importa a estrada que escolhemos, nenhuma delas estará totalmente livre de percalços e vamos precisar aprender a lidar com eles, e somente quando entendemos que não temos todas as respostas e nem somos detentores de verdades absolutas e que estamos sujeitos aos mesmo erros dos que estão ao nosso redor, é que somos capazes de decidir entre uma estrada e outra, então nos resta encararmos as encruzilhadas que a vida nos oferece com humildade e disposição para aprendermos com a experiência dos que já caminharam mais do que nós.

Um conselho do Rei Salomão : “Não sejas damasiadamente justo, nem demasiadamente sábio: por que destruirias a ti mesmo?” (Eclesiastes 7:16)
Graça e Paz.

10 abril 2008

Vazio


“A vida precisa do vazio: a lagarta dorme num vazio chamado casulo até se transformar em borboleta. A música precisa de um vazio chamado silêncio para ser ouvida. Um poema precisa do vazio da folha de papel em branco para ser escrito. E as pessoas, para serem belas e amadas, precisam ter um vazio dentro delas. A maioria acha o contrário; pensa que o bom é ser cheio. Essas são as pessoas que se acham cheias de verdades e sabedoria e falam sem parar. São umas chatas quando não são autoritárias. Bonitas são as pessoas que falam pouco e sabem escutar. A essas pessoas é fácil amar. Elas estão cheias de vazio. E é no vazio da distância que vive a saudade...”

(Texto extraído da crônica “O vazio” de Rubem Alves)

Em nossos dias estamos querendo sempre mais , e mais e mais..., sempre tentamos arrumar espaço em nossa agenda pra mais um compromisso, precisamos ganhar mais dinheiro, sermos bem sucedidos, sempre mais..., e com isso, corremos o risco de deixarmos a alma para trás, assim Jesus advertiu : “Pois que aproveitaria ao homem ganhar todo o mundo e perder a sua alma?” (Marcos 8:36). Precisamos aprender a valorizar o vazio, em alguns momentos de nossas vidas precisamos estar vazios para ouvirmos o clamor da nossa própria alma ou até mesmo a voz de Deus – “ Aquietai-vos, e sabei que eu sou Deus...” (Salmos 46:10) – Na vida, as vezes, menos pode significar mais.

Graça e paz!

29 fevereiro 2008

Um Deus imprevisível

A imprevisibilidade de Jesus é algo que me chama a atenção. Ele era mestre em surpreender seus espectadores. Em várias ocasiões contrariava a lógica e escolhia meios improváveis para agir, para alguns Ele simplesmente ordenava que voltasse a ver, para outros Ele fazia lama com sua saliva, passava nos olhos e mandava que se lavasse; algumas vezes Ele simplesmente expulsava os demônios e em outras permitia que os espíritos entrassem em porcos; foi encontrar seus discípulos andando por sobre as águas enquanto eles provavelmente O esperavam em um barco. Era impossível prever sua maneira de agir, mas uma coisa era certa, Ele agia.

Posso aprender pelo menos duas coisas através da maneira como Jesus agia.

1 - Nenhuma pessoa ou força neste mundo tem autoridade para definir como, onde ou quando Deus deve agir, Ele atua segundo o seu próprio tempo e de suas próprias maneiras. Há os que se sentem investidos de tamanha autoridade ao ponto de se julgarem no direito de dar ordens à Deus e estabelecer formas Dele agir. - “Aqueles, pois, que se haviam reunido perguntavam-lhe, dizendo: Senhor, é nesse tempo que restauras o reino a Israel? Respondeu-lhes: A vós não vos compete saber os tempos ou as épocas, que o Pai reservou à sua própria autoridade. (Atos 1:6-7)” – Deus segue seu próprio cronograma.

2 – Tentar racionalizar tudo o que Deus faz, nos torna mais espectadores do que participantes do seu reino. Foi assim com os religiosos da época de Jesus, os fariseus. Eles entendiam tudo a respeito das leis e tentavam condicionar a maneira como Jesus deveria agir de acordo com seus conhecimentos. Isso nos mostra que Deus não está muito interessado em nosso simples intelecto ou conhecimento teológico, é claro que isso também tem sua importância, mas não é o que atrai os olhos do Pai. Na tentativa de racionalizar os atos de Jesus, os fariseus perderam a oportunidade de terem um contato verdadeiro com Deus, enquanto isso Jesus dispensava sua atenção à pessoas consideradas menos importantes pelos religiosos como, entre tantos, uma prostituta, uma samaritana e atormentados por espíritos malignos, a maioria sem nenhum histórico religioso – “Então chamaram pela segunda vez o homem que fora cego, e lhe disseram: Dá glória a Deus; nós sabemos que esse homem é pecador. Respondeu ele: Se é pecador, não sei; uma coisa sei: eu era cego, e agora vejo. (João 9:24, 25)” – essas foram as palavras de um cego que acabara de ser curado. A grande diferença entre os sábios e essa classe menos favorecida de pessoas era, talvez, porque eles sabiam que não eram nada e necessitavam do auxílio de Deus, nesses corações as palavras de Jesus encontravam abrigo e seu poder era manifesto.

Graça e Paz.